Sempre que alguma coisa é projetada, pintada, desenhada, esboçada ou esculpida, a substância visual da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos. Não se devem confundir os elementos visuais com os materiais ou o meio de expressão, a madeira, a argila, a tinta ou o papel.
Os elementos visuais constituem o básico do que vemos e seu número é reduzido:
- o ponto,
- a linha,
- a forma,
- a direção,
- o tom,
- a cor,
- a textura,
- a dimensão,
- a escala,
- o movimento.
Por poucos que sejam, são a matéria-prima de toda a informação visual em termos de opções e combinações seletivas.
É fundamental assinalar que a escolha dos elementos visuais e a manipulação destes, tendo em vista o efeito pretendido, está nas mãos do artista, do artesão e do designer; ele é o visualizador. O que ele decide fazer com estes elementos é sua arte e seu ofício, e as opções são infinitas.
O Ponto
O ponto é a unidade de comunicação visual mais simples. Quando qualquer material líquido ou duro, seja tinta ou um bastão, atinge uma superfície, assume uma forma arredondada, mesmo que esta não simule um ponto perfeito. Logo pensamos nesse elemento visual como um ponto de referência ou um indicador de espaço.
A Linha
Quando os pontos estão tão próximos entre si que se torna impossível identificá-los individualmente, aumenta a sensação de direção, e a cadeia de pontos se transforma em outro elemento visual distintivo: a linha. Também poderíamos definir a linha como um ponto em movimento, pois quando fazemos uma marca contínua, ou uma linha, nosso procedimento se resume a colocar um marcador de pontos, sobre uma superfície e movê-lo segundo uma determinada trajetória, de tal forma que as marcas assim formadas se convertam em registro.
Nas artes visuais, a linha tem, por sua própria natureza, uma enorme energia. Nunca é estática; apesar de sua flexibilidade e liberdade, a linha não é vaga: é decisiva, tem propósito e direção, vai para algum lugar, faz algo de definitivo.
A Forma
A linha descreve uma forma. Na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma. Existem três formas básicas: o quadrado, o círculo e o triângulo eqüilátero.
Cada uma das formas básicas tem suas características específicas, e a cada uma se atribui uma grande quantidade de significados, alguns por associação, outros por nossas próprias percepções. Ao quadrado se associam enfado, retidão e esmero; ao triângulo, ação, conflito, tensão; ao círculo, infinitude, proteção. Todas as formas básicas são figuras planas e simples, fundamentais, que podem ser facilmente descritas e construídas.
O quadrado é uma figura de quatro lados, com ângulos retos rigorosamente iguais nos cantos e lados que têm exatamente o mesmo comprimento.
O círculo é uma figura continuamente curva, cujo contorno é, em todos os pontos eqüidistante de seu ponto central.
O triângulo eqüilátero é uma figura de três lados, cujos ângulos e lados são todos iguais.
A partir da combinação das formas básicas, derivam todas as outras formas.
Direção
Todas as formas básicas expressam três direções visuais básicas e significativas: o quadrado, a horizontal e vertical; o triângulo, a diagonal, o círculo, a curva.
Cada uma das direções tem forte significado associativo e é um valioso instrumento para a criação.
Horizontal – Vertical – relação com o equilíbrio e a estabilidade
Diagonal – tem referência direta com a idéia de estabilidade, é a formulação oposta, a força direcional mais instável e provocadora. Seu significado é ameaçador e quase perturbador.
Curva – tem significados associados a abrangência e a repetição.
Tom
O tom é o atributo distinguível de uma cor. Este varia de intensidade quanto à saturação da cor.
O valor tonal representa para nós a intensidade de luminosidade, criando a ilusão do tridimensional. Juntamente com a perspectiva, o tom trás por meio da representação gráfica a sensação de volume.
Cor
É necessário entender que a cor não têm existência material. A palavra cor designa tanto a percepção do fenômeno (sensação) como as radiações luminosas diretas ou refletidas por determinados corpos que o provocam.
Existem muitas teorias sobre as cores e sua denominação é complicada. Devido a sua complexidade, não iremos nos aprofundar neste assunto.
Basicamente a cor depende de:
Estímulos – que causam sensações cromáticas e estão divididos em dois grupos: os das cores-luz, e os das cores-pigmento.
Percepção – percebe-se neste fato, as sensações causadas pela cor.
A cor apresenta uma infinidade de variações geradas por meio de estímulos e sensações.
Para quem trabalha com as cores-luz (televisão – imagem digital), as cores primárias são: vermelho, verde e azul (RGB – red, green e blue). A mistura dessas três cores em quantidades iguais, produz o branco.
Para quem trabalha com as cores-pigmento (gráfica, artistas), as cores primárias são: vermelho, amarelo e azul, e a mistura dessas cores em igual quantidade resulta na cor preta.
O nome técnico dados a estas cores é CMYK (cian, magenta, yellow e black). Este sistema é usado nas gráficas para a impressão por fotolitos, nos jornais, revistas, livros e tudo o que é impresso, pois a impressão obtida por pintura de superfície, assim como a impressora do computador, que tem os três cartuchos de tinta com as cores pigmento primárias e outro cartucho preto.
A cor, tanto luz quanto pigmento, tem um comportamento único, mas nosso conhecimento da cor na comunicação visual vai pouco além da coleta de observações em relação a ela.
A cor tem três dimensões que podem ser definidas e medidas.
Matiz ou croma, é a cor em si. Os matizes são medidos pelas três cores primárias e possuem características individuais. O amarelo é a cor que se considera mais próxima da luz e do calor; o vermelho é a mais ativa e emocional; o azul é positivo e suave. O amarelo e o vermelho tendem a expandir-se; o azul, a contrair-se. Quando são associadas por meio de misturas, novos significados são obtidos. O vermelho, provocador, é abrandado ao misturar-se com o azul, e intensificado ao misturar-se com o amarelo. As mesmas mudanças de efeito são obtidas com o amarelo, que se suaviza ao misturar-se com o azul.
Saturação, é a pureza relativa de uma cor, do matiz ao cinza. A cor saturada é primitiva e simples. As cores menos saturadas levam à neutralidade cromática e até mesmo à ausência de cor.
Acromático, é o brilho relativo, do claro ao escuro. Este fato ocorre quando tiramos totalmente a cor de um elemento colorido. Podemos deixá-lo monocromático ou simplesmente do preto ao branco, ou seja, na escala dos cinzas.
O fato é que revelamos muitas coisas ao mundo, sempre que optamos por uma determinada cor.
Textura
A textura é o elemento visual que com freqüência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato. Podemos apreciar e reconhecer a textura tanto por meio do tato, quanto da visão, ou ainda pela combinação de ambos. É possível que uma textura não apresente qualidades táteis, mas apenas óticas, como no caso das linhas de uma página impressa, dos padrões de um determinado tecido ou dos traços superpostos de um esboço. Onde há uma textura real, as qualidades táteis e óticas coexistem, não como tom e cor, mas de forma única, que permite à mão e ao olho uma sensação individual, ainda que projetemos sobre ambos um forte significado associativo.
O aspecto da lixa e a sensação por ela provocada, têm o mesmo significado intelectual, mas não o mesmo valor. O julgamento do olho costuma ser confirmado pela mão através da objetividade do tato. “Será um entalhe ou uma imagem em realce?”
A textura relaciona-se com a composição de uma substância por meio de variações mínimas na superfície do material. E pode-se também representar a textura por meio de fotografias e composições gráficas. Utilizamos a representação ou a própria textura para deixarmos o trabalho cada vez mais realista.
Escala
Todos os elementos visuais são capazes de se modificar e se definir uns aos outros. O processo constitui o que chamamos de escala. A cor é brilhante ou apagada, dependendo da justaposição; assim como os valores tonais relativos passam por enormes modificações visuais, dependendo do tom que lhes esteja ao lado ou atrás. Em suma, o grande não pode existir sem o pequeno e vice e versa.
A escala é muito usada para representar uma medida proporcional real.
Para a comunicação visual é importante que a proporção seja muito bem utilizada.
Dimensão
A dimensão existe no mundo real. Não só podemos senti-la, mas também vê-la. Mas em nenhuma das representações bidimensionais da realidade, como o desenho, a pintura, a fotografia, o cinema e a televisão, existe um dimensional real, ela é apenas implícita. A ilusão pode ser reforçada de muitas maneiras, mas o principal artifício para simulá-la é a perspectiva. Os efeitos produzidos pela perspectiva podem ser intensificados pela manipulação tonal, por meio do claro-escuro, a luz e sombra.
A perspectiva tem fórmulas exatas, com regras múltiplas e complexas. Recorre à linha para criar efeitos, mas sua intenção final é produzir uma sensação de realidade.
Movimento
Como no caso da dimensão, o elemento visual do movimento se encontra mais freqüentemente implícito do que explícito no modo visual. Contudo, o movimento talvez seja uma das forças visuais mais dominantes.
As técnicas, porém, podem enganar o olho; a ilusão de textura ou dimensão parecem reais devido ao uso de uma intensa manifestação de detalhes, como acontece com a textura, e ao uso da perspectiva, da luz e sombra intensificadas, como no caso da dimensão.
Porém, o movimento existe somente no olho do espectador, por meio do fenômeno fisiológico da “persistência da visão.”
Algumas das “propriedades da visão” podem constituir a razão incorreta do uso da palavra movimento para descrever tensões e ritmos compositivos nos dados visuais quando, na verdade, o que está sendo visto é fixo e imóvel.
Com as misturas de elementos podemos criar ilusoriamente a sensação do movimento.
Todos esses elementos, ponto, linha, forma, direção, tom, cor, textura, escala, dimensão e movimento são componentes imprescindíveis para os meios visuais. Tem o potencial da transformação de forma fácil e direta. São elementos básicos para uma composição e sua utilização de maneira adequada trazem harmonia para qualquer trabalho, seja ele artesanal ou digital, profissional ou amador.


































